Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Foi uma partida familiar que teve repercursões não calculadas. Não deixa de ser caricata, podendo até servir como uma estória daquelas que terminamos com a famosa expressão " moral da estória"...

Um dos passatempos preferidos da miudagem era tocar campainhas. E fugir. E depois, à socapa espiar o apanhado vir à porta ver quem era, enquanto nos riamos da patifaria.

Numa noite de verão, os "netos" da família decidiram fazer das suas. Eu incluída. Aliás a ideia foi minha. Sabia quem tinha campainhas novas, e sabia que um tio nosso tinha posto uma com um som muito catita. Lá fomos nós. Um jogo de toca e foge, que começou ao pé da casa do avô e se estendeu até ao fim da rua. Última casa visitada, a do tio Manel.

Eu espero distanciada. O Tozé toca, olha para a varanda, toca outra vez e foge. Eu também. Rimo-nos quando chegamos a casa do avô. Noite em grande.

Mas ao outro dia é que havia de ser lindo. Como se devia esperar, o resultado.Não aquele que esperávamos.

O meu tio conta ao meu avô que lhe iam assaltar a casa na noite anterior, tocaram à campainha a ver se estava gente em casa. ( ladrões corteses).Vim à varanda e ainda vi um "meliante" a correr.

O meu avô conta à minha mãe e por sua vez a minha mãe ao meu pai à hora de almoço. Eu também ouço. Começo-me a rir perante as caras de espanto dos meus pais. Só depois de conter o riso explico, o meliante era o meu primo, e foi o nosso passatempo a seguir ao jantar da noite anterior. Tocar as campainhas e fugir.

Os meus pais também se riram. O meu primo não, ficou com medo, sabe-se lá, de que o meu tio o apanhasse julgando-o ladrão e lhe desse uma "Trepa".O facto é que o nosso tio nunca soube a verdade. Conto agora apenas porque já se passaram muitos anos e acredito que o " crime" já tenha prescrito, de qualquer forma, acabou-se a brincadeira do toca e foge naquela noite.Pelo menos da nossa parte.


música: trim trim
sinto-me: anjinhos levados da breca

publicado por estoriasdaminhaterra às 09:24
Tenho a dizer que já fiz algo semelhante com a minha irmã. :D Não tocávamos nas campainhas, mas sim ligávamos para o telefone... ;)
A nossa tia, que mora em frente a minha casa, andava a fazer limpeza. E tinha a casa aberta, de tal forma que conseguiamos ver o que ela fazia...E não e que reparamos, que ela estava em cima de um banco a limpar os moveis... Entao, uma ficou na varanda, a outra foi ao telefone...e ligava...assim que ela descia do banco e se aproximava do telefone desligava! :D Isto durante um bom bocado... A dada altura denunciamo-nos... :)
pedrinhas a 29 de Maio de 2007 às 15:33

Pobre Palheira... depois não queres que ela seja a nossa Guida Ruim...eheheh deve ser de familia...hihihihi

Bons tempos esses em que as patifarias feitas eram tocar às campainhas! Agora é mais do tipo de riscar os carros dos outros com pregos, fazer grafitis nas paredes dos prédios, de preferência se tiverem sido acabadinhos de pintar e roubar coisas nos supermercados...
daplanicie a 30 de Maio de 2007 às 12:55

Realmente os tempos mudaram... e isto em menos e 15 anos... Não quero imaginar como será daqui a 50...

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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