Sexta-feira, 06 de Julho de 2007

 

A estória de hoje que tem quase tanto de cómica como de dramática, teve como " lembrança" um post de uma outra blogueira http://daplanicie.blogs.sapo.pt/ que tenho por hábito ler. Ora andando eu nestas lides blogueiras dou com o post da minha " colega" sobre violência doméstica. O post sério e actual remeteu-me de imediato para uma estória da minha terra, digna de registo e que toca ( de leve ) o tema. Nesse sentido, cá fica a dita estória, que muitos risinhos arranca quando é contada e que aborda um tema sério e preocupante do modo característico português- com critíca galhofeira.

 

O Zé era uma figura típica cá da terra. Tinha a fama de ser fanfarrão cá por fora mas em casa quem mandava era a mulher, sendo que não raras vezes esta acertava-lhe o passo.

Tendo certo dia, por artes do mafarrico, ter chegado a casa já bem comido e bem bebido, a mulher põe-lhe uma malga de carldo à frente, para a janta. Ele vira d'um lado, vira d'outro e não havia meio de comer. A mulher começa a ficar irritada com tanta moléstia e avisa-o:

 0u comes a bem ou comes a mal, carai!

 Ele encolhe os ombros e continua a dança com o carldo, sem o comer. A mulher farta de tanto faz que come, enervasse e chega-lhe a roupa ao pêlo.

Resultado da cena , vai-se lá saber como, a peripécia chega aos ouvidos do povo, que depois, como quem não quer, gozava de escarninho:

- Oh Zé então elas caíram-te!?

Ao que o pobre respondia, com tom fanfarrão:

- Levar levei mas comer não comi!

 

Carldo - calão sobradense referente a caldo, sopa;

Janta - Calão Sobradense referente a jantar; refeição;

Acertar o passo / Chegar a roupa ao pêlo - bater

 


música: oh Jesus - Cabeças no ar
sinto-me: Toma que já almoças-te

publicado por estoriasdaminhaterra às 10:55
ahah.... bieram m as lagrimas aos olhos!! Tb temos desses ca em cima no Minho... ah e tal sou macho... em casa sabe DEUS! ahah levam nos cornos...
galaktos a 6 de Julho de 2007 às 15:21

Ehehehhe espero que não sejas desses, se bem que não me recordo de ti machista... bem nunca se sabe sr. professor, a violencia não escolhe idades, classes sociais ou profissoes. E a nossa tem vindo a liderar na violencia, não na doméstica mas sim na escolar. Até estou a pensar comprar uma armadura junto com as canetas e os lápis novos para o próximo ano lectivo eheheheh

LOL mais uma história caricata e bem ao jeitinho português!! Obrigada pela referência ao meu blog neste post. Um beijinho e votos de bom fim de semana.
daplanicie a 6 de Julho de 2007 às 17:19

Obrigada pelo comentário! A referência é merecida.

Desculpe o reparo mas, não será "almoçaste"?
A língua portuguesa é muito traiçoeira!
Anónimo a 6 de Julho de 2007 às 17:24

Com efeito até é, um lapso da minha parte que já foi devidamente corrigido.

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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