Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

Isto das rivalidades entre terras tem muito que se lhe diga. Sobrado e Gandra, como já referi em posts anteriores são inimigos de estimação, cultivando essa amizade ao longo de séculos através de carinhosas estórias depreciativas da inteligência da freguesia rival. Normalmente, as estórias são sempre as mesmas em ambas as terras, só mudando os protagonistas consoante quem as conta. Obviamente que as conto à moda de Sobrado ( não fosse eu sobradense!), puxando sempre a brasa à minha sardinha.

 

Os de Gandra gabavam-se muito do sino da torre sineira da igreja de Gandra, que tocava como nunca se ouvira nas redondezas, que tomaram os sobradenses ter um assim...

Ora acontece que, certo dia os sobradenses decidiram pregar uma partida aos de gandra e testar de facto de o sino era mesmo bom. Assim, á socapa pela noitinha ataram um fardo de palha ao cordel do badalo e puseram-se à coca. Nisto aparece um burrito que, ao ver tão lauto banquete, não se dá por achado e começa a tirar-lhe a prova. Coisa nunca antes vista, porque de cada vez que o burro tirava um bocado do molho de palha o sino tocava. Tendo o bicho achado a palha sobradense de tão boa qualidade, começou a comer com mais afinco, intensificando as batidas do sino, de tal maneira que, quem ouvia parecia o sino a tocar a rebate, chamando o povo. E o povo lá foi, a meio da noite, ainda meio ensonado ver o que se passava, acorrendo em largas passadas à igreja de Gandra. O que foi, o que não foi, o burro que comia a palha, e os sobradenses que encondidos se riam como perdidos com tão caricata cena. Não havia dúvidas, o sino tocava bem.


sinto-me: ups
música: a do sino a tocar

publicado por estoriasdaminhaterra às 15:04
Muito engraçada a estória. É do tempo em que os sinos tocavam a sério. Cá no Porto, em algumas igrejas, o toque do sino é gravado...pelo que o sino fica parado.
Modernices enganosas.
Raquel Alves a 13 de Julho de 2007 às 21:26

Olá, julgo que cá em Sobrado a técnica também é essa, mas é sempre bom lembrar do tempo em que para o sino tocar era preciso puxar o badalo. Infelizmente só há 3 anos pude ver com os meus olhinhos como era o sino com badalo ( em Rio d'onor- Bragança). E houve até quem tivesse a ousadia de o tocar, claro está que depois o grupo debandou a rir com a cena da colega que puxou o badalo... Enfim, é o velho mostra-me como se faz e aprenderei no seu pior... eheheheh mas até foi engraçado...

Um esclarecimento impõe-se:
É verdade que as tecnologias emergentes vão substituindo os métodos tradicionais, mas no que toca a sinos, ainda se mantém alguma tradição. É usual o bater das horas ser feito por métodos mecânicos, mas isso não quer dizer que o sino não toque - o que acontece é que, à hora certa, um mecanismo faz uma espécie de badalo exterior projectar-se de encontro ao sino provocando o toque.
Ainda assim, e quando é preciso tocar a rebate, a finados, a "santos", etc. costuma ser sempre a força de braços que os sinos ribombam...
Marco a 16 de Julho de 2007 às 18:26

É com muito agrado que vejo que o meu primo voltou a comentar o blogue! Obrigada pelo esclarecimento, como sempre pertinentes... eheheh

E já agora quem é o nosso sineiro? Era interessante fazer-lhe uma entrevista.

Passar por aqui é sinónimo de gargalhada certa! Excelente!!
daplanicie a 17 de Julho de 2007 às 11:35

Ainda bem que o blogue é capaz de fazer rir! Rir é o melhor remédio para todos os males eheheh

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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