Sexta-feira, 03 de Agosto de 2007

O Maria Rosa era um habitante de Gandra, logo por natureza " inimigo" dos Sobradenses. Vinha todos os dias ao café a Sobrado ( em Gandra não haviam cafés), de cabelo ao vento, e a bater o tacão das suas botas mexicanas. A sua postura arrogante e diferente dos demais fez com que os rapazes sobradenses o apelidassem de Maria Rosa e decidissem fazer-lhe uma espera. Assim, na calada da noite, na estrada que liga Moreiró a Sobrado, do meio do monte saíram-lhe uma mão cheia de sobradenses, com uma tesoura em riste. Fizeram-lhe a tosquia com hábil precisão, cortando-lhe as gadelhas em cruz latina. O Maria Rosa, que foi obrigado dessa forma a regressar a casa e cortar o cabelo " à homem", ainda seria objecto de outra estória na manhã seguinte ao acontecido. Vindo as irmãs deste de trabalhar ( da CIFA) e passando ao local escolhido pelos barbeiros sobradenses, vendo o cabelo no chão e em lugar ermo, desatam a correr até casa pensando que seria bruxedo. Só ao chegar a casa, viram o bruxedo que tinha sido feito...

A estória remete-me para os rituais de praxe académica praticadas nas universidades portuguesas, nas quais ( em algumas situações) se corta o cabelo aos caloiros no sentido de "uniformizar" e " rebaixar" , o contexto aqui é diferente visto que nenhum dos intervenientes era estudante universitário, mas a motivação parece-me similar, a vontade de humilhar e inferiorizar aquele que lhes parecia menor, no caso o gandarense. Só deve ter faltado mesmo a capa negra e o " Sed praxis dura praxis"...


sinto-me: oh diabo, barbeiros!?
música: a das tesouras

publicado por estoriasdaminhaterra às 11:23
É mesmo isso. Todo aquele que fuja às normas sociais pré-estabelecidas, "esperadas", "aceitáveis", ou seja, inculcadas pelo poder dominante como as "normais" está feito.
É quem mais o quer nivelar, o que para mim, é negativo. Enriquecemos com as diferenças dos que nos rodeiam. Por isso, digo que gosto cada vez mais dos "malucos" ... ah ah ah
mulher lua a 3 de Agosto de 2007 às 15:07

Tem razão... No entanto a estória não deixa de ser caricata... Devo referir apenas uma coisa que não coloquei quando escrevi a estória, isto aconteceu por alturas do 25 de Abril,como tal deve imaginar o reboliço... eheheh

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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