Quarta-feira, 05 de Setembro de 2007

Nem sempre acarinhadas, as raposas lá vão subsistindo a grande custo pelos montes sobradenses , indo ,por vezes tentando a sorte ( á falta de alimento nos montes)nos galinheiros, cultivando assim o ódio quase ancestral do homem por este animal.

A estória de hoje passou-se comigo, faz agora um ano. Nunca pensei ter um contacto deste género mas, a natureza por vezes reserva-nos agradáveis surpresas.

O verão costuma convidar a passeios nocturnos pelas ruas da vila. Naquela noite de verão eu e a minha mãe fomos dar uma volta a pé. A noite estava quente e havia muitos grupos de " caminhantes". Já na recta final do trajecto ( perto de casa), um carro passa por nós e mais á frente ouço um barulho estranho. A minha mãe diz que não é nada, mas parece-me ver qualquer coisa no meio da estrada que atravessa o monte. Vou ver. A minha mãe segue-me. Aqueles 50 metros pareceram 50 km ... Mas finalmente percebi o que estava no meio da estrada. Uma raposa. Deitada, de olhos abertos e viva. Já havia algum tempo que a ouvíamos e de tempos a tempos dáva-nos o prazer de a ver ao longe, com duas crias. Foi cuidadosamente colocada na berma. Era linda. Rapidamente corri a chamar um vizinho, para nos ajudar a ver em que estado estava, se tinha algo partido. Ficou imóvel até ele chegar. Acariciamos o sedoso pelo e o fidalgo focinho. Algumas pessoas que por ali passavam pararam a ver e, claro a dar palpites!

- Ah isso é um bicho muito mau, cheira muito mal ( não senti qualquer cheiro), era matá- la que só anda aí a fazer mal! dizia um dos curiosos.

Perante a excitação de estar a tocar num animal selvagem que nunca julguei vir a ter o privilégio de tocar e a ignorância de gerações que se limitam a acreditar no que por aí dizem, dei uma breve explicação ao senhor. Não cheiram mal, estão em vias de extinção, aquela tinha duas crias que precisava alimentar e só vão aos galinheiros porque a base alimentar é frequentemente dizimada por caçadores ( Homens).

Estava tudo bem com a raposa, nada partido, só assustada e nós maravilhados, até que farta de ser o centro das atenções se levantou e correu, a meio parou e olhou para trás, nunca mais me vou esquecer daquele olhar, e penetrou na mata baixa.

Mais tarde soube que tinham matado uma raposa nas imediações, quero acreditar que não foi ela, mas o certo é que nunca mais a vi por aqueles lados.

Ainda hoje quando me lembro da raposa me sinto uma privilegiada , pena tenho que poucos assim pensem e mesmo que sob o manto da ignorância dizimem sem qualquer escrúpulo um animal como a nossa raposa. Será que os meus descendentes terão pelo menos o prazer de poderem dizer que viram uma raposa ou ouviram uma raposa?...

Espero que sim.


sinto-me:
música: Foxtrot

publicado por estoriasdaminhaterra às 16:27
E é por essas e por outras que eu sou absolutamente contra o desporto bárbaro que é a caça! Matar por desporto é horrível e desumano!
Um beijinho
daplanicie a 10 de Setembro de 2007 às 10:45

Concordo plenamente com o que diz, além de b á rbaro é na maior parte dos casos desregrado e sem qualquer conhecimento da fauna envolvente e do necess á rio equilíbrio do ecossistema. J á simpatizava com as raposas mas depois desta experiência fiquei rendida. Quanto aos caçadores era melhor que se dedicassem á caça de raposos de duas pata, talvez fosse mais rent á vel eheheheh

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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