Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Que Sobrado é uma terra rica em estórias já devem ter reparado. São estórias que  na sua maioria retratam a vida social dos seus habitantes com veracidade relativa, no entanto o fantástico e o sobrenatural também têm lugar na imaginação e na vida sobradense . Já tive oportunidade de relatar algumas das estórias que assentam numa matriz fantasiosa e até mesmo sobrenatural, hoje relato mais uma ( bastante recente) daquelas que podem muito bem ser contadas à lareira numa dessas noites de inverno que se nos avizinham...

O cemitério de Sobrado é dividido em duas partes, o novo e o velho. No cemitério velho, o primeiro lanço de campas quando se entra pelo adro, além das normais campas, comuns em qualquer cemitério podemos ver umas poucas " capelas" familiares.

Estas capelas (ou mausoléus ) outrora sinal de riqueza ( hoje mais de vaidade) vão assim " decorando" o cemitério velho e claro alimentando estórias de superstições e coisas de outro mundo.

A estória de hoje é uma dessas. Há cerca de 6 ou 7 anos foi assassinado um bem sucedido empresário sobradense . A família enlutada e ferida com tão inesperada morte decide fazer uma última homenagem ao defunto. Manda construir um mausoléu no cemitério velho, mesmo ao lado de uma outra capelinha existente.

A capela já existente pertencia a um rico lavrador, falecido há bastante tempo e que era conhecido pelo seu mau feitio.

Começadas as obras, o zunzum que se ouviam vozes perto da capela começou a circular pela vila. Vários trolhas se recusaram a ir para a obra á conta das vozes, até que o improvável aconteceu. Andando um dos trolhas a encher a capela do empresário do lado da capela antiga, começa a ouvir uma voz sobre o ombro que subtilmente lhe dizia: " estás a encostar muito as costelas para estas bandas...", o trolha não ligou muito, mas a voz continuou a insistir até que, sem mais nem quando o trolha sente um enorme tabefe fazendo-o cair do andaime.

Não se sabe o que foi, uns dizem que foi o espírito do vizinho da capela nova ( coisa ruim portanto) , outros que foi a imaginação e o medo, o certo é que o trolha apanhou um susto daqueles e  a obra esteve parada bastante tempo até a comunidade se " esquecer" daquele "mau vizinho" e ganhar coragem para finalmente terminar a obra.  


sinto-me: buuuuuuuuuu

publicado por estoriasdaminhaterra às 10:01
Eu, cá por mim, sou daquelas que diz que mais vale acreditar do que ir lá ver...safa!!
Beijinhos
daplanicie a 17 de Setembro de 2007 às 14:50

Da minha parte estou como diz o ditado " eu não acredito em bruxas mas que as há há"... Em todo o caso, pelo sim pelo não, não entro no cemitério ... não vá o diabo tece-las...

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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