Terça-feira, 31 de Março de 2009

Num dos meus raros momentos ociosos em frente á televisão ouvi uma publicidade curiosa a propósito do plano nacional de leitura ( aquele que tem as etiquetas coladas nos livros da miudagem a dizer LER MAIS com o sinal de mais), a senhora com voz de sereia dizia o seguinte " Sabia que em Portugal mais de 70% da população não concluiu o ensino secundário ? Blablabla..."

 

Não, não fiquei aterrada, reconheço ( do alto da minha ignorância) que somos um país rico em taxas de alfabetismo abaixo da média da UE, reconheço que somos assim um bocadinho  ignorantes no que diz respeito ao teorema de Pitágoras e que o nosso raciocinio lógico matemático anda um bocado distorcido da realidade, contudo gostava de saber se na Filândia ( O alter ego da educação em Portugal) há estórias assim como a que vou contar...

 

Há muito muito tempo, no tempo em que não havia CNO's( centros de novas oportunidades) , nem metas da OCDE para atingir , fazia-se em Sobrado uma coisa que se chamava " Educação e formação de adultos", e que como o próprio nome indica era dirigido a adultos, supostamente para saírem de lá " dotados das competências básicas" para ir á mercearia comprar meio quartilho de vinho e serem capacitados para utilizarem os principios rudimentares da escrita da lingua mãe ( como vêm até domino alguns termos técnicos do eduquês em português).

 

Ora, numa destas aulas, extremamente importantes para contrabalançar a taxa de analfabetismo, mostra o professor ( do alto da sua sabedoria) a imagem de uma caneca, onde o exercício proposto era o aluno ou formando ser capaz de ler as três silabas que alegramente quase que bailavam entre si, debaixo da imagem CA-NE-CA.

 

O professor olha atentamente a turma e escolhe a vitima, ups digo o formando, - Então Sr. Joaquim é capaz de ler o que está escrito por baixo da imagem?

- Oh essa é fácil, IN - FU- SA , infusa senhor professor.

 

Haverão palavras para descrever a rapidez de raciocinio e a lógica com que o aluno associou a imagem á palavra ? Julgo que não... Sorte teve o professor que no meio de uma turma das camadas mais velhas ficou a saber uma palavra nova para definir caneca, a maneira de Sobrado. Infusa, ora essa.

Será preciso LER mais? 


tags:
sinto-me: vai uma infusa de tintol
música: Ora zumba na caneca

publicado por estoriasdaminhaterra às 16:54
Andavas com a escrita parada...
Já agora escreve-se Finlândia! :-P
Hugo a 11 de Maio de 2009 às 19:11

Viva Fábia!...há muito que não vinha aqui espreitar!...ainda bem que vim! Gostei da infusa, mas aprecio mais uma infusa de água, senhora professora Fábia.
Beijinho fresco
Raquel Alves a 21 de Maio de 2009 às 21:44

lololollll


É típico.
Enfusa por caneca.

;)
tsiwari a 4 de Junho de 2009 às 08:09

Esta história fez-me lembrar uma que me aconteceu quando dei aulas no Açores, há 20 anos atrás. Estava desenhada no livro uma mola da roupa e, quando eu mandei ler a palavra "mola", a miúda que não devia nada à inteligência, leu "prisão" porque era assim que se chamavam lá as ditas molas. LOL
Beijinhos
daplanicie a 1 de Julho de 2009 às 23:28

Ei Fábia!! Muitos Parabéns pelo teu blog!! Está fantástico! Mas deixa-me dizer-te que uma 'malguinha de verde' também já 'morria'!! Digo eu, que 'bibi' uns anitos em 'Biána do Castelo'... :) Bjinhus
Simone a 29 de Janeiro de 2010 às 00:31

O blogue estoriasdaminhaterra recolhe estórias da tradição oral sobradense bem como factos da vida comum de uma pequena vila dos arredores do Porto...
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